História sobre rodas
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By baltazar
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O mais famoso dos Rolls-Royce cumpriu 100 anos de vida. Nascido como veículo destinado a ensaios de imprensa, é uma referência que faz parte do património da marca pertença do Grupo BMW. Mas está na posse da Bentley…


Henry Royce experimentou o seu primeiro modelo 10 hp no dia 1 de Abril de 1904, meses antes do primeiro encontro com o aristocrata Charles Roll. E os dois deram início à venda dos modelos 10 hp, 15 hp, 20 hp e 30 hp mesmo antes da sociedade Rolls-
-Royce ter sido formalmente fundada, em Março de 1906.

Em 1907, Henry Royce decidiu criar um topo de gama. Surgiu, deste modo o 40-50 hp, que deveria ser promovido por Claude Johnson, o ex-secretário do Automobile Clube of Great Britain and Ireland, que havia assumido o cargo de director geral da nova marca.
Para esse efeito, foi construído um modelo que seria uma ferramenta de marketing, destinado a ser utilizado para testes com jornalistas e em demonstrações junto de potenciais clientes.

A encomenda original referia que o modelo deveria ser pintado de verde, mas Claude Johnson mudou de ideias e optou pelo prateado brilhante para pintar a carroçaria.


Em 1925 a Rolls-Royce utilizou o nome Silver Ghost em vários modelos



O nascer do mito
Esta mudança de opinião deu origem a um nome que se tornou mítico na Rolls-Royce. Nascera o primeiro “Silver Ghost”, que foi tema da revista Autocar nas edições de 20 e 27 de Abril de 1907. A revista britânica elogiou a elegância, o conforto e o desempenho do motor de 6,0 litros.

Em Maio, Claude Johnsson participou com o Silver Ghost nas 2000 Milhas de Trial, o que obrigava a cumprir o percurso Londres-Glasgow-Londres (cerca de 2500 km). Não satisfeito, em Junho percorreu cerca de 24 000 km durante cinco semanas de condução, ao longo de estradas de Inglaterra e da Escócia.

Em 1908, o Silver Ghost foi vendido a Dan Handbury, que o utilizava para se deslocar duas a três vezes por ano à sua villa em itália. Em 1925, o châssis 60551 partiu-se e o veículo, que teria então cumprido 563 270 km, foi posto de lado. Ao longo da sua vida, a única alteração que sofreu foi a montagem de um pára-brisas Beaton, que ainda hoje o equipa.

No final da II Guerra Mundial, Dan Handbury decidiu recuperar o Silver Ghost, mas acabou por morrer subitamente em 1948. Nessa altura, o genro propôs a sua venda à Rolls-Royce, que o adquiriu. Apesar de não ser o único Silver Ghost, porque a marca utilizou esta referência nos modelos de 40-50 hp, para os distinguir do novo Phantom, lançado em 1925, era o primeiro Silver Ghost.

Um século depois, o Silver Ghost ainda anda, e não deixa de ser curioso que hoje seja propriedade da Bentley (o mesmo é dizer do Grupo VW), tendo ficado fora do negócio da compra da Rolls-Royce pela BMW em 1998...


http://automotor.xl.pt/1107/2200.shtm